Infelizmente as pessoas perderam a capacidade de se indignar diante das situações de violências a crianças e adolescentes
Além do título macabro de bicampeã brasileiro de homicídios contra jovens de 12 a 19 anos é também a cidade entre as de médio e grande porte que mais viola proporcionalmente os direitos das crianças e adolescentes
Por Edilson, Márcia, Rodrigo e Sérgio
A cena já passa despercebida por muitos, como se a situação fosse normal
Proporcional ao número de habitantes, a situação já ultrapassou o limite tolerável, se é que existe tolerância para a prática de violação de direitos de crianças e adolescentes, na maioria dos casos indefesos e sem expectativa de que um dia a situação venha a melhorar.
A covardia ganha aliado na inércia dos administradores públicos (prefeitos, governadores e presidente), passando pelos órgãos de controle, fiscalização e legislação (vereadores, deputados, senadores). No cenário de violência contra crianças e adolescentes o Brasil já foi mídia mundial até mesmo em casos praticados por membros do Ministério Público e Poder Judiciário.
O papel da sociedade é se indignar contra qualquer prática realizada por quem quer que seja em especial daqueles que deveriam cuidar, fiscalizar e coibir. Nesse cenário caótico, encontramos os números do Conselho Tutelar de Foz do Iguaçu, que com estrutura precária, realizam um trabalho hercúleo, para coibir em parceria com o Ministério Público, Poder Judiciários e entidades assistenciais, que as violações tenham continuidade.
O principal obstáculo para que a estrutura não seja mais eficaz no combate aos abusos está no poder executivo municipal. Enquanto o prefeito nomeia mais de 400 cabos eleitorais para cargos desnecessários ao poder executivo municipal, se recusa a criar novas estruturas de Conselho Tutelar, alegando não ter recursos disponíveis.
Recursos há e sobra. O que não existe na atual administração é vontade para priorizar o combate a exploração, abuso e violação de direitos de crianças e adolescentes. Talvez o motivo seja de que essa grande massa de cidadão não seja eleitora, afinal politiqueiros acreditam sobreviver de voto, acordos politiqueiros e não de resultados sociais efetivos.
Frente a essa situação constatamos que entre as 6 principais cidades do Estado, Foz é a única que possui apenas 1 conselho tutelar e 5 conselheiros, tendo a segunda maior demanda (empata tecnicamente com Curitiba 6,8 vezes maior).
Gráfico comparativo entre algumas da maiores cidades do Paraná
O detalhe importante é que Curitiba possui praticamente o mesmo número de casos de violação de direitos de crianças e adolescentes, tendo 9 conselhos e 45 conselheiros a disposição da população. Foz do Iguaçu conta apenas com 1 conselho e 5 conselheiros, 1 promotor e um juiz para atender uma demanda impossível de ser combatida com tão pouco contingente.
Analisando o gráfico demonstrativo e tendo por base o percentual de atendimento realizado por conselheiro do município de Londrina, cada conselheiro de Foz atendeu 576% a mais que o conselheiro de Londrina. Maringá, 2ª colocada nesta comparação, cada conselheiro atendeu 127% mais casos que os conselheiros de Londrina; Curitiba 79%; São José dos Pinhais 55% e Cascavel 36%.
No quesito atendimento em 2010, cada conselheiro de Foz atendeu apenas em casos de constatação de violação de direitos, 340 situações; contra 114,4 por conselheiro de Maringá; 89,91 por conselheiro de Curitiba; 77,80 de São José dos Pinhais; 68,5 de Cascavel e 50,33 de Londrina.
Quando se compara o tamanho das cidades pesquisadas com o percentual de atendimento de violações atendidas pelos seus conselheiros, Curitiba possui 51,13% do total de habitantes tendo 36,36% dos casos. Foz que conta com 7,50% dos habitantes do universo comparado, possui 32,02% dos casos registrados no sistema SIPIA do Ministério da Justiça.
Ficam abaixo da média o número de casos em proporção ao de habitantes apenas as cidades de Londrina e Curitiba. Maringá, Cascavel e São José dos Pinhais possuem o equivalente de população quando comparadas com o número de casos.
O mais insignificante dos dados comparados é o número de habitantes atendido por conselheiro, pois o número de casos efetivos não é proporcional ao número de habitantes, a exemplo de Foz do Iguaçu.
Mesmo nesse quesito Foz lidera com o maior número de habitantes a ser atendido por cada conselheiro tutelar, tendo 1 conselho tutelar para cada grupo de 51.216 munícipes.
Infra-estrutura precária
O imóvel locado para abrigar o Conselho Tutelar está localizado em ponto estratégico no centro da cidade. Os problemas enfrentados são de ordem estrutural, obrigando os conselheiros, funcionários e população atendida a enfrentar problemas de infiltração, alagamento de algumas salas nos dias de chuva, incluindo a recepção.
É muito fácil encontrar portas em estado inapropriado para um orgão público
Há diversas portas com vidro quadrado, tendo no lugar de vidro fita adesiva transparente, isopor ou adesivo de campanha , portas corrediças que não funcionam ou não mais existem. Essa precariedade faz com que nos períodos de alta e baixa temperatura, o calor (frio e quente) externo seja sentido dentro de salas.
A situação em que se encontra o ambiente é lamentável
Nos fundos há uma edícula com salas e cozinha, que poderiam ser utilizadas para ampliar a estrutura de atendimento do conselho. Porém, estão em situação precária e ineficaz para abrigar atendimento, acomodação de servidores e arquivo.
Pode-se perceber que há muito tempo não há manutenção no local
Por falta de o município realizar manutenção ou cobrar esta do proprietário (em conformidade com o contrato de aluguel), paga-se pelo imóvel, sem poder realizar ocupação integral.
Veículos precários
São dois carros à disposição do Conselho Tutelar, um Ford Fiesta e um Corsa
O Conselho Tutelar possui dois veículos a disposição para realizar os atendimentos em toda a extensão territorial do município. O problema é que os veículos estão em precárias condições mecânicas e de manutenção (vide imagens).
Nos dois veículos é possível encontrar extintor de incêndio vencido desde 2009, problemas no manuseio do veículo (falta de maçaneta, peças precárias, …). Até o documento obrigatório disponível aos motoristas é de 2008 a última atualização, deixando o motorista a mercê de multas, responsabilidades civis e criminais.
Em contrapartida se não trabalharem nestas condições, respondem administrativamente ou tem seus dias descontados, a exemplo dos Guardas Municipais que se recusaram a trabalhar sem porte de arma vigente.
Em outras palavras o município deixa de cumprir com sua obrigação, colocando em risco a vida dos motoristas, conselheiros, população atendida e dos motoristas e passageiros de veículos e pedestres que se encontram nas vias públicas, pela irresponsabilidade em dar manutenção na frota.
Cadê a isenção e a responsabilidade da Guarda Municipal, responsável pelo trânsito urbano, que gosta de multar os veículos e os seus proprietários. Primeiro o poder público tem que se dar ao exemplo para depois cobrar dos demais munícipes e cidadãos em trânsito.
Quantidade de servidores insuficiente
O conselho Tutelar necessita de mais servidores públicos (concursados) para auxiliar nas atividades internas desenvolvidas pelos conselheiros e no atendimento a população. Mesmo funcionando 24h por dias 7 dias por semana em regime de escala e plantão, a altíssima demanda aliada ao pequeno grupo de auxiliares, faz com que o Conselho Tutelar não exerça suas funções preventivas com agilidade.
Mobiliário precário
Para quem se aventura a trabalhar ou procura atendimento no Conselho Tutelar de Foz do Iguaçu, deve saber que o ambiente não possui extintor de incêndio, apesar de um gigantesco arquivo com mais de 30 mil pastas suspensas.
No ambiente há condicionadores de ar sujos e em funcionamento precário ou inexistente. Os equipamentos de informática (microcomputadores) são precários, obsoletos ou lentos. Existe para todo gosto, obrigando os funcionários a operar na velocidade do equipamento.
O sistema de controle dos registros das mais de 30 mil pastas com documentação envolvendo violação de direitos de crianças e adolescentes é precário para não afirmar obsoleto, podendo a qualquer momento perder os dados, caso haja perda do disco rígido.
Sem as informações do sistema, a busca de informações para a tomada de decisão torna lento e precário o atendimento no conselho tutelar, obrigando os conselheiros a abrir mão dos dados arquivados, por falta de um sistema de informações.
Cadeiras, mesas, armários, central telefônica, arquivos, balcões e outros bens não escapam da situação de precariedade por falta de priorização no atendimento básico. Há meses que os conselheiros pleiteiam 1 (uma) fotocopiadora em busca de agilidade no atendimento da alta demanda.
A disposição do conselho tem uma impressora multifuncional, que conforme informado danifica alguns documentos quando fotocopiados. Quando necessita fotocopiar documentos em formato maior A4, outro problema é detectado, não é possível.
Nas altas temperaturas de Foz do Iguaçu as salas dos conselheiros além de serem pequenas para atender uma família faltam condicionador de ar nas salas dos conselheiros Márcio Rosa e Anna Camila, tendo inclusive ventilação precária. Na recepção, o condicionador de ar é insuficiente para ventilar o espaço e causa irritação na espera do atendimento.
Outro problema que os conselheiros enfrentam é a demora no atendimento de algumas requisições de material de expediente, que ocorre principalmente ao final e início de ano. Há dias em que não há tonner, falta papel sulfite, açúcar, copo para água…
Por muitas vezes conselheiros e funcionários são obrigados a colocar a mão no bolso e comprar o material, em especial papel sulfite, para atender casos urgentes. A insensibilidade do gestor público não imagina existir. Se imagina, ignora.
Sistema de informações
Dos mobiliários necessários, a principal falta é de arquivos de aço, pois já há milhares de pastas que estão fora de arquivo em caixas precárias, apesar do ideal ser o desenvolvimento de um sistema digitalizado de documentos do Conselho Tutelar, reduzindo significativamente os custos de busca e arquivamento no futuro.
Outra necessidade é o armazenamento das informações em um servidor de dados com manutenção e BKP periódico, tendo em vista o alto atendimento e a necessidade de localização imediata para instrução em solicitações do Ministério Público, Poder Judiciário e atendimento as entidades que prestam assistência a criança e ao adolescente.
Demanda altíssima
Implantar novos Conselhos Tutelares condizente com a realidade de Foz do Iguaçu é a bandeira primordial. A atual estrutura facilita a continuidade e impunidade das violações de direitos das crianças e adolescentes e impossibilita a fiscalização preventiva. Hoje não é possível atender a demanda existente na cidade com apenas um conselho.
Equipe Iguassu Repórter
Edição, Produção, Revisão e Imagens: Aline Buratti, Elias Herculano, Edilson Mendes, Márcia Mendes, Junior, Rodrigo Paulo
























1 de fevereiro de 2011 at 13:21
Sem comentarios e um reflexo a mais da melhor administração publica do pais. Parabéns Paulo Mac Donald o melhor prefeito da historia deste pais!
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Vc e o cara, melho que o Lula.
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Vai dar expediente no conselho tutelar prefeito