Para entender o mundo sindical

“HÁ-NOS OUTROS AJOELHADOS, ELES (…) NOS PARECEM ALTOS…”.

Por Lucasi

Um homem dos seus 35 anos de idade em plena consciência e juventude, na porta de um pequeno depósito de almoxarifado de materiais de um condomínio, na companhia de outros dois funcionários e um sindicalista, no calor de 43°, comentava sobre o aumento do salário em Foz, e “que não adiantava aumentar o salário e repassar o aumento no preço dos produtos…” Um fato e uma observaçãoimportante!

Em seguida disse do aumento do sindicato dos trabalhadores em condomínios do ano passado (2011) que havia sido de 11%, um bom aumento, admitiu, quando comparado a outros aumentos de outras categorias, mas que o sindicato havia cobrado muito… (um dia de salário para o imposto obrigatório e duas parcelas de 5% sobre o salário: uma em maio outra em novembro, para a Contribuição Assistencial – não obrigatória).

É compreensível a reclamação quando se ganha salário, qualquer valor a menos faz diferença, contudo, o valor a mais também deveria fazer. Onze por cento de aumento significam, em média, R$1.056,00/ano, para um desconto total de mais ou menos (variando o salário) R$135,00/ano. Se o sindicato não fizesse por merecer (a todos), o aumento seria de no máximo 5% e a convenção estaria restrita ao aumento e não aos benefícios (vale alimentação, horas trabalhadas, etc.) e não 11%. Um aumento de 5% e o desconto do imposto obrigatório de aproximadamente R$45, já que o trabalhador (…) se furtaria á Contribuição Assistencial…

O Sindicato é um órgão de luta, mas precisa de recursos e apoio da categoria (quantas vezes isso tem que ser dito?); a luta contra as entidades patronais, contra a classe patronal – pagas a peso de ouro – é difícil. No ano 2011, o aumento foi decidido no último dia. Este sindicato em especial, dos condomínios, hotéis e restaurantes, tem escritório no centro e sede social à disposição do associado. Umdos poucos clubes de Foz com as contas em dia e em funcionamento, com duas piscinas: uma olímpica e outra para crianças; um bosque com churrasqueiras, salão de festas (em reforma), campo suíço, quadra coberta, etc. Os sócios pagam uma parcela abaixo de R$25,00.

É certo que todas as contribuições que o sindicato recebe, também ajudam a manter o clube social, do qual participam só os associados, isso foi decidido em Assembleia Geral da categoria, considerando o lazer da família, a um custo de R$25/mês! Mas convenhamos, uma cobrança de R$135/ano, para um aumento de R$1.056/ano é vantajoso, no caso do associado desconta-se mais R$300/ano e continua sendo vantajoso, desta feita, extensivo à família.

2ª. PARTE

Agora, observando o primeiro parágrafo temos um resumo, uma síntese, do que émais importante nisso tudo: “de que adianta aumentar salários e também o custo de vida?”. A meu ver esta é a resposta a todos aqueles que ainda não entenderam aimportância de todos os sindicatos, como a primeira instância de luta dos trabalhadores (assalariados).

Contra “a força não há resistência”: quando conseguimos aumentos reais, os Patrões e o Estado, por inveja, forçam os seus aumentos, para enfraquecer nossas conquistas, sabendo que isso leva à inflação, ao desemprego, e como consequência o rebaixamento do salário (bingo!). Contudo, quando conquistamos aumentos reaisdistribuímos rendas; eles quando repassam aumentos nos produtos, com vista à redução do salário, concentram rendas: situação constante (independe do tempo, da época), contraditória e mesquinha! (Isso é Capitalismo!).

Os Sindicatos podem funcionar como barreira de contenção desta avalanche dedesmonte, das conquistas trabalhistas efetivadas ano após ano pelos sindicatos das categorias. A mais nova intentona do capital aconteceu em Foz: uma empresaterceirizada de São Paulo trouxe trabalhadores a um salário menor que o da região. O sindicato tomou providências! O Sindicato da Construção Civil de Fozparou uma obra, por falta de segurança aos trabalhadores…

Isso é apenas um texto! Não reflete o cotidiano sindical! É um dia de luta! É preciso participar para saber o que é um Sindicato! Se recusar a contribuir com o Sindicato é exatamente fazer o jogo dos dominantes. Há casos em que os patrões “proíbem” os funcionários de irem ao sindicato. Por quê? Em outros casos, dizem que “no sindicato só tem charlatões!” Porque defendem os trabalhadores contra um sistema de acumulação de capitais e um Estado de Marajás? Incentivam (…) aos trabalhadores a entrega de “cartas”, feitas no “DP”, se recusando à Contribuição Assistencial. Convencem os trabalhadores de que “são eles que pagam os salários”, como se o trabalhador vivesse, por favor, dos seus empregos… Bem, é uma escolha!

Quando se reúnem dois trabalhadores, temos uma Comissão Sindical, o resto é imaginação e prática! Esta matéria é fruto de uma reunião informal de quatro trabalhadores, um de categoria diferente. E será enviada aos Sindicatos e pode ser publicada! Meu nome é público, tenho um patrão e luto, por vida, pela minha classe social. Obrigado!

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1 comentário

  1. LUCASI PARABÉNS PELA SUA MATÉRIA ELA É BEM ILUSTRATIVA NA RELAÇÃO ENTRE CAPITAL E TRABALHO. DEMONSTRA QUE TEMOS QUE SUPERAR MUITAS BARREIRAS NESSE CAMPO.

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